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Wall Street despenca quase 6% por guerra comercial lançada por Trump
Wall Street despenca quase 6% por guerra comercial lançada por Trump / foto: TIMOTHY A. CLARY - AFP/Arquivos

Wall Street despenca quase 6% por guerra comercial lançada por Trump

A Bolsa de Nova York caiu quase 6% nesta sexta-feira (4) pela segunda sessão consecutiva, refletindo a preocupação dos investidores com a economia dos Estados Unidos em meio à ofensiva comercial lançada pelo presidente Donald Trump.

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O índice industrial Dow Jones perdeu 5,50%, o tecnológico Nasdaq despencou 5,82% — uma queda de 22% desde seu recorde de dezembro — e o ampliado S&P 500 recuou 5,97%, sua pior jornada desde a pandemia de covid-19 em 2020.

Em dois dias, a bolsa americana perdeu mais de 6 trilhões de dólares (R$ 34,3 trilhões) em capitalização, segundo o índice Dow Jones US Total Stock Market.

"Pode ser que os mercados não estejam reagindo o suficiente, sobretudo se essas tarifas se mostrarem definitivas, dadas as possíveis repercussões para o consumo e o comércio em todo o mundo", afirmou Matt Burdett, analista da Thornburg Investment Management.

Em sinal do nervosismo dos investidores, o índice de volatilidade VIX, apelidado de "indicador do medo", atingiu durante a sessão seu nível mais alto desde a pandemia, em torno de 45 pontos.

Nesta sexta-feira, "o que realmente colocou os mercados em apuros foi a notícia das represálias da China" no que diz respeito às tarifas, declarou à AFP Steve Sosnick, da Interactive Brokers.

O governo dos EUA ameaçou seus parceiros comerciais com sobretaxas ainda maiores caso adotem medidas retaliatórias contra suas novas tarifas, impostas em nome da "emergência nacional" para reduzir o déficit comercial da maior economia do mundo.

Mas nesta sexta, Pequim anunciou que também imporá tarifas adicionais de 34% sobre produtos americanos a partir de 10 de abril, "além da taxa tarifária atualmente aplicável".

- Mais inflação, menos crescimento -

De acordo com Sosnick, o "segundo elemento principal" que pesou sobre o mercado acionário dos EUA foram as declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Jerome Powell.

O chefe do Fed afirmou em um discurso que as "consequências econômicas" das tarifas seriam "provavelmente" mais amplas do que o previsto.

Powell citou "uma inflação maior e um crescimento mais lento", mas também "um risco maior para o emprego".

"É muito cedo para dizer qual é a política monetária apropriada", acrescentou o presidente do Fed, sinalizando que não pretende alterar as taxas de juros nesse contexto.

"Este seria o momento perfeito para que o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, cortasse as taxas de juros", havia dito Trump alguns minutos antes em sua rede Truth Social.

Essas preocupações ofuscaram a divulgação, antes da sessão, da taxa de desemprego dos EUA. O Departamento do Trabalho anunciou que esse índice aumentou levemente em março pelo segundo mês consecutivo, chegando a 4,2%, após 4,1% em fevereiro e 4% em janeiro.

O número de empregos criados foi muito superior ao previsto: 228 mil frente à estimativa dos analistas de 140 mil.

Nesse cenário, o mercado de renda fixa continuou a cumprir seu papel de refúgio: o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA a dez anos caiu novamente para 3,99%, contra 4,03% no fechamento do dia anterior.

Por sua vez, os principais bancos também registraram quedas, como JPMorgan Chase (-7,48%), Bank of America (-7,60%) e Citigroup (-7,80%).

As ações de tecnologia, que haviam sido os pilares de Wall Street nos últimos anos, sofreram da mesma forma: a pioneira dos carros elétricos Tesla caiu 10,42%, e os gigantes dos chips Intel e Nvidia recuaram 11,50% e 7,36%, respectivamente.

Ch.Mayr--MP